quinta-feira, 7 de julho de 2016






ERINALDO CIRINO, DESENHOS



JOGOS E LABIRINTOS

Por Alberto Amaral

A série de obras do artista paraense Erinaldo Cirino, expostas no Atelier do Porto, opera um jogo de tensões entre o Real e o Simbólico. Para tanto, vale-se dos espelhamentos, do duplo, que possibilita ao artista desvelar as margens desse abismo expressivo - ele nos deixa lá, sem conclusão. As imagens movimentam-se em torno do vazio, espaço negativo do Real. Trabalha com a destruição daquilo que ele próprio construiu, tensão consciente/inconsciente, cujo efeito é o do túnel: destrói para construir. Em Jogos e labirintos o artista nos apresenta situações ordinárias que se tornam extraordinárias graças a mecanismos que terminam sempre em abismos. São imagens que fazem o observador questionar o que nunca tem apenas uma única resposta possível. Se pensarmos no que existe na natureza e no que existe na imaginação, como duas partes de um mesmo arquivo, o mecanismo utilizado por Cirino nos remete ao “Bestiário” de Julio Cortazar, promovendo uma reorganização, um embaralhamento sutil dos arquivos, de maneira que algumas peças fiquem deslocadas de sua classificação. O resultado é um bestiário que se constrói impulsionado por seu inconsciente, nos apresentando uma realidade de que lhe É - movimento com que Cirino vai de uma parte a outra do arquivo sem que a transição seja aparente, ou encontre um paralelo. Suas imagens remetem o observador para dentro de si em busca do que complemente sua narrativa deixada em aberto, faz com que o espectador experimente o jogo: vazio que o olha; vazio que de certa forma nos constitui.   

Para que seja possível esse movimento é necessário que exista o abismo, essa organização em torno do vazio que preserva o mistério, que coloca limites ao que faz parte da ordem do dizível.

A exposição ficará até 06 de agosto.
ATELIER DO PORTO
Tv. Gurupá, 104 (entre Dr. Malcher e Dr. Assis)
Cidade Velha / Belém-PA
Agende sua visita: 30856438 / 983944792

terça-feira, 29 de abril de 2014



III Edição do Demográfica, projeto desenvolvido pelo Atelier do Porto que visa estimular o colecionismo, engajando diversos artistas em estratégias voltadas para a acessibilidade da obra de arte. 
A exposição abrirá no dia 10 de maio, no horário das 10h as 18h. Neste dia, faremos uma promoção relâmpago de uma obra referencial dos artistas participantes.



quinta-feira, 10 de abril de 2014

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Elaine Arruda no Instituto Tomie Ohtake. A Gravura Paraense em Cena.


Elaine Arruda no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2014

Por Armando Sobral

A Poucos Metros do Mercado do Sal

A poucos metros do Mercado do Sal, região portuária às margens do rio Guamá, encontra-se a oficina Santa Terezinha, empreendimento tradicional que há décadas oferece trabalhos em fundição, peças de reposição de motor para barcos e serviços variados com placas e artefatos de metal. Quem adentra o espaço depara-se com maquinários pesados enfileirados, alguns funcionários dispersos e, com um pouco mais de atenção, o movimento discreto de um grupo de jovens artistas manipulando grandes chapas de zinco nos fundos do velho galpão; o visitante tampouco suspeitará o que os motiva a se debruçarem sobre aqueles painéis metálicos cobertos de incisões. A Santa Terezinha representa a primeira etapa desse insuspeito trabalho, as lâminas ainda devem chegar à oficina A Reconstrutora em outro ponto da cidade, no antigo bairro operário de Belém, o Reduto, onde finalmente desvelam-se: as castigadas lâminas de zinco transformam-se em matrizes que impregnam longos papéis com densos e vigorosos sinais convertendo-os em uma única estampa cuja escala foi poucas vezes experimentada na gravura contemporânea. O trajeto é significativo para a artista, proporciona o contato com atividades intimamente associadas à cultura ribeirinha através das metalúrgicas artesanais; reavalia e expande seus métodos de trabalho com a gravura em metal sem afastar-se dos princípios que norteiam sua prática. Seu gesto anima uma saudável divagação sobre a gravura e suas origens, ou a renovação de seus fundamentos através de um retorno às origens - a gravura em metal surge nos ateliês dos armeiros e prateiros medievais. Elaine vai ao encontro das oficinas navais e incorpora o conhecimento e ferramentas dos funileiros aos processos diretos da gravura em metal; apropria-se de seus equipamentos e produz gravuras em escalas monumentais apoiada em uma rede de colaboração e compartilhamento de experiências – seu ato de criação é uma ação coletiva.
A gravura sempre esteve associada à íntima relação com a leitura. A partir dos anos 50, período marcado pelo surgimento do movimento abstrato no Brasil e ruptura com o modernismo, Maria Bonomi imprime a essa modalidade artística um caráter monumental; reage ao universo soturno da gráfica expressionista com xilogravuras luminosas e coloridas em grandes formatos – pode-se dizer, de maneira figurada, que retira a estampa da mesa e a coloca na parede. Em certo sentido Elaine reage com imodéstia, porém sua inquietação não contrapõe-se a um modo dominante de pensar e produzir a gravura, sucede das potencialidades encontradas em seu campo de experimentação material e das indagações ao impacto produzido pela paisagem. Seu ponto de vista não é do observador apartado, do retratista das atmosferas distantes; desloca-se para o centro dos acontecimentos. Sua experiência resulta de tal imersão , e o corpo é o abrigo.
Procede de modo significativo, perfila diversas placas de zinco e as ataca com ponteiras, machadinhas, fogo e ácido. Conduz as ferramentas em movimentos enérgicos até a exaustão da matriz; perfura, corta e risca o metal orientada pelo trânsito permanente de impressões mentais que são transmitidas em ato. Não planeja a forma, prepara o campo para que o corpo percorra em fluxo contínuo o extenso plano de gravação. Salto profundo e radical que devolve à estampa toda a determinação do gesto.
Atualmente, suas gravuras encontram paridade com a obra gráfica de outro jovem artista, Fabrício Lopes; ambos renovam o caminho iniciado por Maria Bonomi há mais de cinquenta anos,  em intensidade, escala e potência. Diante de tamanho mergulho não deixamos de nos pronunciar: é potência, arrebatamento. Não daria para ser diferente.

Belém, janeiro de 2014


segunda-feira, 31 de março de 2014




O Atelier do Porto produziu uma coleção de camisas identificadas com a nossa cultura ribeirinha, trabalho que demandou a criação de um "alfabeto das águas" a partir das letras do artesão e letrista de barcos Luis Jr; produto finamente confeccionado pela fábrica Ná Figueiredo.
Quando você pensar em um presente diferenciado, lembre da coleção RIBEIRINHOS.
Ligue ou mande uma mensagem para vestir uma.